Unicef: Escalada da violência no Sudão deixa mais de 300 crianças mortas ou feridas em 2026

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Paz e segurança

Após mais de três anos de um conflito, crianças continuam sendo as principais vítimas da violência; somente nos primeiros meses do ano, mais de 300 meninos e meninas foram mortos ou feridos, impulsionados por um grave recrudescimento dos confrontos nas últimas semanas.

No Sudão, pelo menos 330 crianças terão sido mortas ou feridas devido ao conflito no primeiro semestre de 2026. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

A agência sublinha que, desde a escalada dos confrontos, no final de maio, em torno da capital do estado de Cordofão do Norte, El Obeid, pelo menos 23 crianças terão sido mortas e outras 25 terão ficado feridas.

Crianças sudanesas correm risco de perder a vida

O Unicef adverte que as crianças sudanesas suportam o maior impacto de mais de três anos de conflito entre as Forças Armadas Sudanesas, SAF, e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido, RSF. 

Para além da instrumentalização da violência, do assédio e dos abusos sexuais por ambos os grupos, os ataques recentes têm visado infraestruturas e alvos civis, expondo adultos e crianças a maior risco de perder a vida. 

© WFP/Asma Achahboun Guerra civil no Sudão causou o maior deslocamento interno global ao forçar 9,1 milhões de pessoas a fugir de suas casas

O incidente mais recente ocorreu na sexta-feira na área de Burbur, a sul de El Obeid. Pelo menos dois meninos e duas meninas, com idades entre os oito e os 16 anos, terão sido mortos, elevando para oito o número de vítimas fatais menores de idade no mês de julho.

Unicef apela à proteção de menores

O agravamento do conflito no Sudão tem vindo a provocar níveis sem precedentes de fome, desnutrição infantil e deslocação forçada, culminando numa das piores crises humanitárias da história.

Ainda no mês de maio, cerca de 41% da população do Sudão, quase 20 milhões de pessoas, enfrentava níveis elevados de insegurança alimentar aguda. A ONU estima que 825 mil crianças com menos de cinco anos venham a sofrer de desnutrição aguda grave em 2026.

O representante do Unicef no Sudão, Sheldon Yett, alertou para os impactos do conflito na vida de milhões de famílias. Ele sublinhou que as crianças continuam a ser as principais vítimas e que sua segurança e seus direitos têm de ser protegidos.

À luz do direito humanitário internacional, a agência insta todas as partes à tomada de precauções para poupar as crianças dos efeitos dos confrontos e proteger as infraestruturas e serviços de que dependem, incluindo escolas, unidades de saúde e sistemas de abastecimento de água.

Solução para questão do Chipre pode contribuir com estabilidade regional

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Paz e segurança

Ao concluir visita à ilha localizada no Mar Mediterraneo, chefe das Nações Unidas reforça compromisso com superação das divisões entre greco-cipriotas e turcos; ele relatou conversas “francas e construtivas” com ambos os lados.  

O secretário-geral da ONU, António Guterres, concluiu nesta quarta-feira uma visita ao Chipre, onde se reuniu com autoridades e conversou com a população.

Em encontro com jornalistas, ele relatou que os cipriotas querem que seus líderes façam concessões e percorram a etapa final rumo a uma solução para as divisões que persistem na ilha, localizada no Mar Mediterrâneo.

Wikipedia Uma mina de cobre a céu aberto no Chipre

Conversas “francas e construtivas”

O secretário-geral ressaltou que a solução da questão do Chipre é “absolutamente crucial” não só para preservar os interesses e a paz do povo cipriota, mas também como “fator de estabilidade numa região que está se tornando perigosamente instável”.

Guterres enfatizou que as Nações Unidas “não podem impor a paz”, mas estão comprometidas a apoiar a construção de um futuro para o Chipre marcado pela cooperação e pelas oportunidades.

O secretário-geral disse que esse foi o espírito das conversas “francas e construtivas” que teve, separadamente e em conjunto, com o líder greco-cipriota, Nikos Christodoulides, e com o líder turco-cipriota, Tufan Erhurman.

Avanço rumo a uma solução

Guterres relatou que foram alcançadas convergências e que uma nova reunião será planejada, após um processo de preparação focado em construção de confiança e definição de metodologia e conteúdo. 

O líder da ONU disse que nos próximos meses será realizado um trabalho conjunto com os dois lados em Chipre e com os países garantidores, Grécia, Turquia e Reino Unido, a fim de “avançar de forma decisiva rumo a uma solução”.

Ele pediu também a cooperação de ambos os lados com a Missão de Paz da ONU, que há mais de seis décadas “ajuda a manter a calma e a estabilidade em um ambiente sensível”.

O secretário-geral pediu que a autoridade da Missão seja respeitada, tanto na zona-tampão quanto nas linhas de cessar-fogo delimitadas pela ONU.

Unficyp Um soldado de manutenção da paz da ONU inspeciona a Linha Verde, que separa o norte e o sul de Chipre

Histórico da divisão

O Chipre se tornou independente do Reino Unido em agosto de 1960. Um mês depois, o país ingressou na ONU. A ilha tem uma população composta por 80% de cipriotas gregos e 18% de cipriotas turcos.

Os acordos, que levaram à independência, faziam a distinção entre as duas comunidades e buscavam um equilíbrio entre seus respectivos direitos e interesses, assegurando funções de governo e autonomia administrativa a ambos os lados. Mesmo assim, as tensões continuaram.

A Força de Manutenção da Paz das Nações Unidas no Chipre, Unficyp, foi criada pelo Conselho de Segurança em 1964 para evitar combates entre as comunidades greco-cipriota e cipriota turca.

Porém, em 1974, grupos favoráveis ​​à união com a Grécia deram um golpe de Estado, que foi respondido com uma intervenção militar da Turquia, cujas tropas estabeleceram o controle sobre a parte norte da ilha.

Desde o cessar-fogo entre os dois lados, em agosto de 1974, a missão de paz supervisiona as linhas de cessar-fogo, fornece assistência humanitária e mantém a zona-tampão entre as forças turco-cipriotas e greco-cipriotas.

ONU confirma ação de Israel em centro de formação em Jerusalém Oriental

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Legislação e prevenção de crimes

Forças de Telavive confinaram alunos e docentes nas instalações do Centro de Formação de Kalandia; Unrwa indica que não houve documentação que explicasse o propósito da incursão; instalações têm estado sob ameaça de apreensão ilegal por parte das autoridades.

Pela segunda vez em menos de um mês, forças de Israel e funcionários municipais entraram à força no Centro de Formação de Kalandia, KTC, uma instalação da ONU localizada em Jerusalém Oriental.

A ação desta segunda-feira, infringiu as obrigações de Israel no que respeita aos privilégios e imunidades das Nações Unidas e suas instalações, comunicou a agência da ONU de Assistência aos Palestinos, Unrwa.

Docentes e estudantes confinados à força

Os docentes e estudantes do centro encontravam-se em aulas no momento da incursão, sendo depois concentrados e confinados pelas forças de Israel no local.

Segundo a Unrwa, não foi apresentada qualquer documentação que explicasse o propósito da entrada dos oficiais israelitas. A agência acrescenta que funcionários municipais fotografaram sistematicamente edifícios, espaços de escritório e instalações de formação.

Edward Parsons/IRIN Forças de Israel e funcionários municipais entraram à força no Centro de Formação de Kalandia

A Unrwa afirma que o incidente se insere num contexto mais amplo de esforços para obstruir as suas operações nos territórios palestinos, bem como as de outras organizações não governamentais, ONGs. 

Centro de formação em risco de apreensão ilegal

O KTC é o centro de formação profissional mais antigo da Unrwa. A cada ano, centenas de estudantes recebem formação gratuita, adquirindo competências para garantir meios de subsistência sustentáveis e mobilidade económica.

Nos últimos meses, as instalações do centro têm estado sob ameaça de apreensão ilegal por parte das autoridades israelitas, indica a agência.

© Unrwa Docentes e estudantes do centro encontravam-se em aulas no momento da incursão

A Unrwa advertiu ainda que tal não só seria considerada uma violação do direito internacional, como também resultaria numa perda irreparável das oportunidades de formação profissional que assegura ao abrigo do seu mandato da Assembleia Geral da ONU.

Agência da ONU reforça determinação do CIJ

Na sequência do incidente, a agência apela às autoridades israelitas para cumprirem as suas obrigações ao abrigo do direito internacional, abstendo-se de novas interferências nas suas instalações, pessoal e beneficiários.

Ainda em outubro de 2025, a Corte Internacional de Justiça confirmou as obrigações de Israel de facilitar as operações da Unrwa no território palestino, incluindo Jerusalém Oriental.

Nessa altura, o tribunal determinou que Israel deve abster-se de ações e formas de interferência que comprometam a propriedade e os bens das Nações Unidas e suas agências nesses territórios.

75 vozes influentes lançam declaração de solidariedade com refugiados

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Migrantes e refugiados

Iniciativa do Acnur visa marcar os 75 anos da Convenção sobre Refugiados; nomes incluem artistas, atletas, empresários, líderes religiosos e vencedores do prêmio Nobel da Paz; objetivo é criar coalizão para defender aqueles fogem de conflitos, violência e perseguição.

Para marcar os 75 anos da Convenção sobre Refugiados, nesta terça-feira, 75 personalidades influentes se uniram para lançar uma declaração pública chamada “A Promessa”.

A iniciativa, da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, reúne nomes como as atrizes Cate Blanchett e Angelina Jolie, o ator Ben Stiller; a campeã olímpica, Kirsty Coventry e a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai.

Sentimento de humanidade compartilhada

O objetivo é construir uma ampla coalizão em apoio à proteção dos refugiados, em um momento em que o deslocamento forçado atinge níveis recordes no mundo.

Por meio de “A Promessa”, os signatários reafirmam os princípios duradouros da Convenção sobre Refugiados e o compromisso de proteger pessoas que fogem de conflitos, violência e perseguição.

O alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, Barham Salih, afirmou que a Convenção “salvou milhões de vidas ao longo das últimas décadas e representa a essência do sentimento de humanidade compartilhada”.

Ele pediu que este compromisso feito há 75 anos se mantenha vivo para todas as gerações futuras.

ONU/ES Doze nações assinaram a Convenção sobre o Estatuto dos Refugiados em Genebra, em julho de 1951.

Aumento dos conflitos

Segundo o Acnur, mais de 41 milhões de refugiados continuam deslocados à força em todo o mundo. Em meio ao aumento dos conflitos, os países que acolhem essas pessoas assumem uma enorme responsabilidade, mas os sistemas de asilo estão cada vez mais sobrecarregados e com recursos insuficientes.

Em “A Promessa”, os signatários se comprometem com mais “ação, compaixão e solidariedade até que todos estejam seguros”.

O Acnur ressalta que é importante agir em conjunto desde os primeiros momentos do deslocamento, para que os refugiados não sejam deixados em situação de abandono. 

A agência defendeu ainda o apoio aos países e às comunidades de acolhida, a ampliação das oportunidades para os refugiados e a criação de condições para o retorno voluntário e outras soluções duradouras.

O Acnur continuará convidando indivíduos e organizações a aderirem ao texto de “A Promessa”, até a realização do Fórum Global sobre Refugiados de 2027.

Na ONU, América Latina busca fortalecer cooperação marítima

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Assuntos da ONU

Encontro, na Guatemala, lança fórum de convergência entre administrações do setor na região; iniciativa da OMI quer promover colaboração, liderança inclusiva e capacidades das organizações marítimas.

Até este 29 de julho, altos responsáveis do setor marítimo da América Latina participam, na Cidade da Guatemala, na Primeira Reunião Conjunta de Diretores e Chefes das Administrações Marítimas da América Latina, Damla 1.

No evento, administrações marítimas latino-americanas procuram reforçar o diálogo no setor, identificar prioridades e fortalecer a colaboração regional.

Cooperação regional alargada

Na abertura, o secretário-geral da Organização Marítima Internacional, OMI, Arsenio Dominguez, contou que a agência está decidida a apoiar os Estados-membros da América Latina através da cooperação técnica adaptada às prioridades regionais.

Ele destacou o papel do trabalho conjunto no desenvolvimento de administrações marítimas mais robustas, capazes de implementar os instrumentos da OMI e responder às necessidades em constante evolução do setor.

A meta da agência da ONU é reforçar as capacidades institucionais para promover a liderança inclusiva, a igualdade de género, ambientes de trabalho mais atentos e uma governação eficaz nas administrações marítimas da região.

Reunião procura acordo coletivo

A convenção insere-se no âmbito do Programa Integrado de Cooperação Técnica da OMI e apoia os esforços da organização no sentido de reforçar a governação marítima, a capacidade institucional e o desenvolvimento marítimo sustentável em toda a América Latina.

Representantes dos Estados-membros devem encerrar o encontro com um acordo sobre uma via comum para reforçar ainda mais a cooperação marítima na região.

O evento foi convocado pela OMI, em conjunto com o Governo da Guatemala e a Comissão Centro-Americana de Transporte Marítimo, Cocatram. 

A segurança marítima em todo o mundo é uma das prioridades das Nações Unidas e um dos temas debatidos no Conselho de Segurança da ONU dentro do quadro de paz e segurança.

ONU: idosos que não dominam esfera digital podem acabar excluídos

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Cultura e educação

Sem saber acessar serviços essenciais na internet, pessoas na terceira idade correm risco também de ficar fora do mercado de trabalho; aprendizagem entre gerações pode ajudar a diminuir a divisão digital.

As tecnologias digitais estão a transformar como as sociedades funcionam, desde o acesso a serviços governamentais e cuidados de saúde até à gestão de finanças e às ligações sociais.

No entanto, com a transição digital, as pessoas idosas que desconhecem o mundo digital têm mais risco de exclusão, o que limita o acesso a serviços essenciais e aprofunda desigualdades.

Divisão digital geracional

O alerta é da Comissão Económica e Social para a Ásia e o Pacífico, Escap. Atuando numa região que enfrenta duas megatendências simultâneas: o rápido envelhecimento da população e a aceleração da transformação digital de vários setores, o grupo afirma que até 2050, o número de idosos pode quase duplicar nesta área.

Serão quase 996 milhões, o que corresponde a cerca de 20% da sua população total. E o envelhecimento de uma população sem o conhecimento digital a divisão entre gerações, refletindo-se em desigualdades no acesso e no uso das tecnologias digitais entre pessoas idosas e mais jovens.

O quadro é mais acentuado nos países em desenvolvimento, onde o acesso à internet entre pessoas mais velhas é frequentemente quase inexistente.

Exclusão digital no trabalho

Presentes em quase todas as profissões, as ferramentas e competências digitais são cada vez mais essenciais no mundo do trabalho contemporâneo.

Sem oportunidades para as desenvolver, muitos trabalhadores mais velhos correm o risco de serem excluídos de empregos e atividades profissionais, numa altura de aumento constante da esperança média de vida.

© Eric Ganz Um idoso engraxa sapatos para se sustentar na Turquia.

Um inquérito do Escap a pessoas mais velhas no Camboja, Índia, Quirguistão, Laos e Vietnã revelou que apenas 7,4% dos entrevistados, alguma vez, participaram em formação formal em literacia digital, enquanto dois terços dos que adquiriram competências digitais aprenderam-nas com familiares.

Relações de confiança impulsionam aprendizagens

As trocas e momentos de aprendizagem entre gerações podem ajudar a diminuir a divisão digital, reduzindo estereótipos associados à idade e ajudando as pessoas mais velhas a manter-se membros ativos das suas comunidades.

No Vietnã, esta abordagem foi adotada através dos “Clubes Intergeracionais de Autoajuda”, onde pessoas de diferentes gerações se juntam para desenvolver competências práticas, incluindo literacia digital.

Mas o desenvolvimento de competências digitais é apenas metade da solução. A transição digital de serviços também precisa de ser concebida a pensar nos utilizadores mais velhos, através de sistemas simplificados e de fácil navegação.

A confiança digital começa muitas vezes não com a tecnologia em si, mas com comunidades de apoio que criam espaços seguros para aprender. Quando as pessoas mais velhas são capacitadas e incluídas, toda a comunidade prospera.

*Com base em artigo de Frederick Coughlin e Kavita Sukanandan 

Dois terços da população de Gaza enfrentam insegurança alimentar aguda

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Ajuda humanitária

Crises de nutrição persistem e continuam a ser uma realidade comum na Faixa de Gaza; 212 mil pessoas vivem em situação alimentar de emergência; palestinianos continuam a enfrentar dificuldades em recuperar meios de subsistência, sistemas alimentares locais e serviços essenciais.

Em Gaza, quase dois terços da população enfrentam uma crise alimentar aguda, enquanto as restrições a bens essenciais e aos meios de subsistência mantêm a maioria da população dependente de ajuda humanitária.

O alerta consta da nova Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC, que identificou avanços na segurança alimentar e na nutrição infantil em Gaza desde dezembro de 2025.

67% da população enfrenta insegurança alimentar

A nova avaliação estima que 1,4 milhão de pessoas, cerca de 67% da população, enfrentam níveis de insegurança alimentar aguda de crise (Fase 3 do IPC) ou superiores.

Este valor representa uma diminuição face aos 1,6 milhão, ou 77% da população, inseridas na mesma fase, no final do ano passado.

Por sua vez, cerca de 212 mil pessoas vivem em situação de emergência (Fase 4), enfrentando graves carências alimentares, níveis muito elevados de desnutrição e perda irreversível dos seus meios de subsistência.

ONU News Uma jovem de Gaza aguarda para encher seu recipiente com lentilhas.

Cessar-fogo impulsionou a assistência alimentar

Os progressos registados na segurança alimentar são indissociáveis do acordo de cessar-fogo alcançado em outubro de 2025, que possibilitou uma expansão significativa da assistência alimentar e nutricional em Gaza.

Se, em setembro de 2025, apenas 500 mil pessoas receberam algum tipo de assistência alimentar, em maio de 2026 esse número subiu para cerca de 1,5 milhão de pessoas.

O mesmo verifica-se no apoio às crianças com menos de 5 anos. Entre estas, a cobertura nutricional aumentou significativamente, de menos de 1% em setembro de 2025 para 60%. Até ao final do ano, estima-se que 74 mil crianças na Faixa de Gaza precisarão de apoio alimentar.

Sem a ajuda adequada, estas crianças jamais poderão recuperar das consequências dos períodos prolongados sem nutrição adequada, avisou Catherine Russell, diretora executiva do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.

Produção alimentar local pode ser restabelecida

Atualmente, apenas uma passagem no sul de Gaza permanece aberta, limitando o fluxo de bens essenciais que poderiam apoiar a recuperação e deixando a maioria da população dependente de ajuda humanitária.

Acrescem, ainda, as restrições impostas à mobilidade, ao acesso às terras agrícolas, ao mar, bem como à importação de bens comerciais e humanitários.

Neste sentido, Qu Dongyu, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, apelou ao levantamento das restrições às importações agrícolas e aos fornecimentos humanitários.

Sem estes elementos essenciais, a produção alimentar e a segurança alimentar continuarão em situação crítica, advertiu o alto responsável.

A FAO, o Unicef e o Programa Mundial Alimentar, WFP, sublinham ainda que a paz sustentada, a segurança e a estabilidade são essenciais para permitir que as pessoas regressem às suas explorações, negócios e comunidades e comecem a reconstruir as suas vidas.

Década do Oceano em Cabo Verde realça parcerias, ciência e ação pela economia azul

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Headline: Década do Oceano em Cabo Verde realça parcerias, ciência e ação pela economia azul

Por Eleutério Guevane*

Clima e Meio Ambiente

Evento, meados de julho, no arquipélago lembrou que agenda ambiental global [e prioridade; 5ª. Conferência da Década do Oceano juntou políticos, académicos e ativistas na ilha da Boa Vista com promessa de tornar o potencial marinho em prosperidade sem deixar ninguém para trás. 

Sob o lema “Economia Azul: Caminhos Sustentáveis”, Cabo Verde acolheu, na semana passada, a 5ª. Conferência da Década do Oceano. Com mais de 300 participantes, o evento foi descrito como um marco estratégico para o futuro socioeconómico e ambiental do país africano. 

Promovida pela Presidência de Cabo Verde, na Ilha da Boa Vista, a reunião juntou políticos, especialistas, académicos, representantes do setor privado, jovens e ativistas da sociedade civil. Os participantes reafirmam que o oceano representa muito mais do que um recurso natural: é a própria identidade, proteção e sustento da nação insular africana de língua portuguesa.

Reforço da cooperação internacional

Um dos marcos da conferência foi o reforço da cooperação internacional ao mais alto nível. O stand das Nações Unidas na Exposição Azul destacou a “Economia Azul em Ação” e foi visitado pelo presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, e pelo diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany.

O chefe da Unesco citou a centralidade do arquipélago no cenário global. Para ele, Cabo Verde ocupa um lugar especial em favor da África e dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento.

ONU Cabo Verde O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, e o presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, visitaram juntos o espaço das Nações Unidas na Exposição Azul.

El-Enany disse que o país e a Unesco cooperam para “para promover o desenvolvimento sustentável, proteger o ambiente natural excecional do país e reforçar a resiliência das suas comunidades.”

Papel da sociedade civil

Se o diálogo governamental e internacional define o caminho a seguir, é no terreno que a sustentabilidade ganha vida. A conferência realçou que a ação da sociedade civil e comunidades locais é essencial na conservação da biodiversidade e no desenvolvimento comunitário.

Entre as centenas de presenças no fórum, a ONG ambientalista Lantuna, que na Ilha de Santiago atua na proteção da fauna marinha e terrestre e no apoio às comunidades piscatórias, testemunhou o crescimento e a maturidade deste espaço de debate. 

Para a diretora-executiva da Lantuna, Ana Veiga, o grande valor destas conferências está no alinhamento entre a ciência, a sociedade civil e os decisores políticos.

“Eu vejo isto como uma excelente oportunidade de partilhar experiências. Somos um país arquipelágico, é uma excelente oportunidade para partilharmos as experiências de diferentes ilhas e um momento para que os decisores políticos, as instituições no geral, tenham também uma visão da academia, da sociedade civil. Portanto, espero que este tipo de iniciativas continue e que surjam também mais iniciativas do género.” 

Conservação da biodiversidade

A ativista disse que são visíveis os resultados concretos deste diálogo continuado no maior envolvimento do poder e das instituições locais nas questões da conservação da biodiversidade.

“Em cima da mesa, há uma partilha dos resultados das investigações que têm sido levadas a cabo pelas instituições nacionais, por exemplo o Imar, que é o Instituto do Mar, e isso também tem motivado outros decisores a conhecerem o que se faz no país. Eu acho que um dos resultados que se pode dizer é que já há um maior envolvimento das câmaras municipais para as questões relacionadas com a conservação da biodiversidade marítima.”

A responsável da Lantuna usou o espaço para reforçar um apelo para o cumprimento da Agenda 2030: a urgência de uma proteção legislativa e prática mais eficaz para as praias e zonas costeiras de Cabo Verde, o principal ativo natural e turístico do país. 

No evento, a participante da sociedade civil cabo-verdiana apontou que o caminho passa por uma ação conjunta onde a responsabilidade cidadã e a fiscalização governamental caminhem lado a lado.

Compromisso para “não deixar ninguém para trás”

O encerramento dos trabalhos da 5ª. Conferência da Década do Oceano e da Feira Azul sela o compromisso coletivo de transformar o potencial marinho em oportunidades reais de emprego, resiliência e prosperidade para as gerações atuais e futuras.

As Nações Unidas e os seus parceiros de desenvolvimento reafirmam a determinação em continuar a trabalhar lado a lado com o Governo de Cabo Verde, os municípios, a academia, o setor privado e a sociedade civil. 

Acelerar a transição para uma economia azul inclusiva e sustentável, garantindo que o progresso alcance a todos, sem deixar ninguém para trás, envolve realizar ações focadas no desenvolvimento das comunidades costeiras, atuar na frente climática e na inovação. 

*Com reportagem da ONU Cabo Verde.

OMS intensifica resposta ao combate de ebola na RD Congo e em Uganda

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Headline: OMS intensifica resposta ao combate de ebola na RD Congo e em Uganda

Ajuda humanitária

Agências de notícias indicam que mais de 3 mil casos foram notificados e pelo menos 1,4 mil mortes; comandante da Monusco, Missão da ONU na RD Congo, general brasileiro Ulisses de Mesquita Gomes visitou área afetada na semana passada.

A Organização Mundial da Saúde está intensificando sua cooperação com autoridades e parceiros na República Democrática do Congo para combater o surto de ebola no país africano. A doença está afetando, ainda que em menor escala, Uganda, a nação vizinha.

Em rede social, a agência da ONU informou que está fazendo rastreamentos, apoiando postos de tratamento e fortalecendo a prevenção. A comunidade é parte central dessas ações para impedir que a doença se espalhe.

Prioridade é salvar vidas

Segundo agências de notícias, mais de 3 mil casos de ebola foram notificados e pelo menos 1,4 mil mortes ocorreram em função da disseminação do surto. A OMS informou que a prioridade é proteger as comunidades e salvar vidas.

Foto: OMS/Chris Black Monusco tem presença operacional na área para fortalecer as instalações de saúde

Na semana passada, o comandante das Forças de Paz da ONU na República Democrática do Congo, Monusco, visitou o epicentro do surto de ebola, no leste do país africano.

O general brasileiro, Ulisses de Mesquita Gomes, se reuniu com os boinas-azuis da ONU que estão na frente da batalha contra o vírus assistindo os civis e agradeceu em Mongbwalu aos militares do Nepal, que servem na Monusco, a presença operacional na área para fortalecer as instalações de saúde.

Crise de saúde e segurança

Além da crise sanitária com o surto de uma variante, bundibugyo, para qual ainda não se tem vacina, o leste da RD Congo já vivia uma situação de insegurança com troca de fogo entre tropas do governo e integrantes de movimentos rebeldes e grupos armados.

O enfrentamento ao ebola ocorre em parceria com autoridades locais, representantes da sociedade civil e das comunidades, e as forças de segurança da RD Congo.

Revolução na prevenção ao HIV esbarra em preços altos e queda de financiamento

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Headline: Revolução na prevenção ao HIV esbarra em preços altos e queda de financiamento

Por Felipe de Carvalho*

Saúde

Na abertura da 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro, relatório da Unaids aponta que epidemia de Aids pode ressurgir, em meio a distribuição injusta de medicamentos capazes de revolucionar a prevenção e redução da ajuda internacional. 

A 26ª Conferência Internacional de Aids foi aberta nesta segunda-feira no Rio de Janeiro, em meio a um paradoxo. Por um lado, a ciência traz uma revolução na prevenção do HIV, com medicamentos que oferecem um nível de proteção contra o vírus semelhante ao de uma vacina. 

Por outro, ativistas apontam a distribuição desigual desses fármacos, devido aos preços altos determinados pelas empresas que detém as patentes farmacêuticas. Essa é uma das preocupações apresentadas no relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas, sobre HIV/Aids, divulgado no início do evento.  

Desigualdades globais

O vice-presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, Abia, coorganizadora da conferência, falou sobre o assunto em um evento paralelo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, Cplp 

Veriano Terto Jr., que vive com HIV há mais de 30 anos, lamentou as decisões comerciais que estão reforçando desigualdades globais. 

“A América Latina, o Caribe e vários países africanos contribuíram enormemente para o desenvolvimento das novas tecnologias de prevenção, mas somos excluídos disso. E somos excluídos de uma maneira arrogante, de uma maneira grosseira”.

Ele explicou que apesar de ter participado dos ensaios clínicos que ajudaram na aprovação do medicamento lenacapavir, por exemplo, o Brasil foi excluído da lista das nações autorizadas a produzir versões genéricas mais baratas. 

ABIA Veriano Terto Jr., vice-presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids, ABIA, fala na Conferência Internacional de Aids no Rio de Janeiro.

“Inovação sem acesso, é injustiça”

O lenacapavir é um medicamento injetável de longa duração, e com apenas duas injeções por ano, previne o HIV em quase 100% dos casos, segundo estudos mais recentes. 

A Abia lidera o Grupo de Trabalho sobre Propriedade Intelectual, GTPI, que realizou um estudo demonstrando que o Brasil teria capacidade de produzir localmente o lenacapavir por cerca de R$ 372 por paciente por ano. O preço da versão patenteada supera os US$ 20 mil e é considerado inviável para o sistema público brasileiro.

A diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima afirmou que “inovação sem acesso não é inovação, é injustiça”. 

Para ela, “o verdadeiro teste do sucesso não é se os medicamentos existem, mas se as pessoas que precisam deles conseguem obtê-los e a um preço acessível”.

O Unaids estima que 20 milhões de pessoas precisam ter acesso à prevenção baseada em medicamentos para gerar um impacto real.

Financiamento mais baixo em quase duas décadas

O relatório da agência afirma que este acesso limitado às opções de prevenção, em meio a um contexto de cortes massivos de financiamento, pode significar um ressurgimento da epidemia.

Embora a incidência e a mortalidade pela doença estejam nos níveis mais baixos em mais de 30 anos, a resposta global é considerada extremamente frágil. As novas infecções aumentaram em três regiões e em 21 países em 2025.

O financiamento internacional para HIV caiu mais de US$ 1,5 bilhão, entre 2024 e 2025, uma redução de 18% e o menor nível registrado em quase duas décadas. 

Além disso, a ajuda global ao desenvolvimento caiu 23% em 2025, a maior redução já registrada, e uma grande parcela desse corte atingiu programas de saúde global, incluindo os de HIV.

ONU/Eskinder Debebe A diretora executiva do Unaids, Winnie Byanyima, informa a jornalistas sobre a audiência preparatória para a Reunião de Alto Nível de 2026 sobre HIV/Aids

Risco de colapso dos serviços

Byanyima afirmou que este momento deve ser encarado como “o fim da dependência da ajuda internacional”. 

Ela defendeu a criação de um novo modelo de financiamento, que use estratégias como a reestruturação das dívidas públicas para que os governos possam investir “no futuro de suas populações”.

Organizações lideradas pela comunidade receberam até 25% da assistência externa destinada ao HIV em 2024. Pesquisas mostram que, em alguns países, essas organizações alcançaram 22% das pessoas vivendo com HIV e até 60% das populações marginalizadas com serviços que salvam vidas.

 Sem o apoio dos doadores e sem um fortalecimento do investimento doméstico, os serviços de prevenção ao HIV e as abordagens comunitárias correm o risco de entrar em colapso total.

Grupos mais vulneráveis

Os dados da Unaids indicam que as grupos mais vulneráveis a infecção por HIV são pessoas que fazem uso de drogas injetáveis, homens que fazem sexo com homens, mulheres trans e profissionais do sexo. 

A agência ressalta que não é possível acabar com a Aids enquanto esses grupos continuarem sendo criminalizados. 

Em 2026, 168 países criminalizam o trabalho sexual e 152 a posse de pequenas quantidades de drogas. Além disso, 66 nações condenam as relações sexuais consensuais entre pessoas do mesmo sexo e 14 as pessoas transgênero.

Apesar dos retrocessos em direitos humanos, em junho de 2026, 149 Estados-membros da ONU adotaram uma Declaração Política sobre HIV e Aids. 

As novas metas incluem 40 milhões de pessoas em tratamento e 20 milhões de pessoas com acesso à prevenção baseada em medicamentos. Os objetivos também estabelecem que menos de 10% das pessoas vivendo com HIV ou em risco de infecção sofram estigma e discriminação.

UNAIDS Um homem no Uzbequistão mostra o medicamento que toma para combater o HIV

Dados do relatório

  • 2025 registrou 1,2 milhão de infecções e 570 mil mortes por HIV/Aids
  • 22% das pessoas que vivem com a doença estão sem receber tratamento
  • Os recursos internacionais diminuíram 18%, a maior queda em duas décadas.
  • Medicamentos novos, como lenacapavir, previnem quase 100% das infecções
  • 20 milhões de pessoas precisam ter acesso à esse tipo de prevenção 
  • Versões genéricas de lenacapavir custarão US$40 por ano, mas não estarão disponíveis em muitos países

*Felipe de Carvalho é jornalista da ONU News