Chefe da ONU reafirma apoio ao enviado do Sudão

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou total confiança em manter no cargo o seu enviado especial no Sudão, Volker Perthes.

As declarações foram feitas a jornalistas, em Nova Iorque, após uma reunião fechada do Conselho de Segurança. A sessão realizada na quarta-feira debateu a renovação do mandato da Missão Integrada de Assistência à Transição das Nações Unidas no Sudão, Unitams.

Exército e paramilitares

O chefe da ONU disse que cabe ao Conselho de Segurança determinar se apoia a continuação da operação internacional por mais algum período ou se é o momento de parar.

Pela sexta semana, o país é marcado por confrontos entre o Exército e os paramilitares das Forças de Apoio Rápido.

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Acnur adverte que precisará de um “enorme apoio logístico” por causa do movimento dos refugiados das áreas fronteiriças em busca de segurança

Nesta quinta-feira, a diretora do Programa Mundial de Alimentos, PMA, condenou a pilhagem de um armazém em El Obeid, sudoeste da capital Cartum.

Trata-se da maior base logística da agência no continente africano e “uma linha de vida vital para milhões de beneficiários no Sudão e no Sudão do Sul”.

Em sua conta numa rede social, Cindy McCain deplora “de forma veementemente o saque de alimentos e bens”. A comida armazenada era suficiente para 4,4 milhões de pessoas. McCain considerou “injusto roubar dos famintos” ao pedir o fim dessas ações.

Emergência no Chade

Antes, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, disse haver mais de 100 mil refugiados sudaneses no vizinho Chade desde a eclosão do conflito. Ao todo, cerca de meio milhão de cidadãos do Sudão estão em território chadiano, o que levou a agência a fazer um apelo por apoio de emergência.

No próximo trimestre, prevê-se que mais de 200 mil pessoas possam fugir para o Chade.

Com a aproximação da estação chuvosa, o Acnur adverte que precisará de um “enorme apoio logístico” por causa do movimento dos refugiados das áreas fronteiriças em busca de segurança.

Mais de 500 crianças morreram desde o início da guerra na Ucrânia

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Peritos de direitos humanos da ONU alertam que uma adolescente e dois adultos foram mortos em Kyiv nesta quinta-feira. Eles foram vítimas de um suposto ataque com mísseis russos.

A chefe da Missão de Monitoramento de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, Matilda Bogner, afirma na comemoração do Dia Internacional da Criança, marcado em 1 de junho, que os ucranianos, incluindo os mais jovens, continuam pagando o preço da violência.

Crianças vítimas do conflito na Ucrânia

Segundo a equipe de monitoramento, seis crianças foram mortas e 34 ficaram feridas apenas em maio. O número elevou para mais de 1,5 mil o total de vítimas infantis desde o início do conflito, há mais de 14 meses.

© UNICEF/Tapes Ion

Mãe e filha de Chernihiv, na Ucrânia, abrem uma caixa com roupas novas, distribuídas pela UNICEF e parceiros na Moldávia.

A Missão de Monitoramento da ONU disse que pelo menos 525 crianças morreram. Pelo menos 1 mil ficaram feridas em cidades de toda a Ucrânia, tanto em áreas controladas pelo governo quanto nos locais ocupados pela Rússia, desde 24 de fevereiro de 2022.

As Nações Unidas afirmam que 87% das baixas foram causadas por armas explosivas com efeitos de área ampla, incluindo artilharia, mísseis e ataques aéreos e munições ociosas ataques.

A missão de monitoramento disse que a guerra até agora deixou um total de quase 9 mil civis mortos e mais de 15 mil feridos, mas alertou que o número real pode ser consideravelmente maior, já que os especialistas da ONU não conseguiram acessar algumas das áreas da Ucrânia que sofreram com os conflitos.

Solidariedade às vítimas

A chefe da ONU na Ucrânia, Denise Brown, afirmou estar “chocada e triste” com a morte de uma criança e outros civis durante após o ataque de mísseis na capital.

Em mensagem para o Dia das Crianças Ucranianas, ela também expressou sua solidariedade às famílias de mais de 1,5 mil crianças mortas e feridas no país desde que a invasão começou em fevereiro de 2022.

Denise Brown destacou que a organização também está seriamente preocupada e acompanhando de perto os relatórios de menores ucranianos sendo transferidos à força para a Rússia.

Para ela, a guerra também tem um impacto devastador na saúde mental e no bem-estar das crianças, incluindo milhões que tiveram que fugir para salvar suas vidas.

Brown afirma que a comunidade humanitária continuará atuando sem parar para garantir que eles possam receber o apoio de que precisam com urgência, pelo tempo que for necessário.

Pesquisa sinaliza avanços na detecção precoce de câncer de pulmão

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Uma descoberta da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, Iarc, pode melhorar a detecção precoce da doença no pulmão.

Os pesquisadores identificaram marcadores de proteínas no sangue que estão associados ao diagnóstico do tipo de câncer considerado o mais comum. Esses biomarcadores foram usados para desenvolver um algoritmo que prevê casos futuros.

Detecção precoce

Para chegar ao resultado, foram medidas 1,2 mil proteínas em amostras coletadas de 731 pessoas com histórico de tabagismo e diagnosticadas com câncer de pulmão até três anos após a coleta de sangue.

As proteínas encontradas nessas amostras foram comparadas com as de 731 pessoas de idade, sexo e história de tabagismo semelhantes, mas que não desenvolveram câncer de pulmão três anos após a coleta de sangue.

Este foi o primeiro estudo a buscar os marcadores iniciais de proteínas para câncer de pulmão em amostras de sangue anteriores ao diagnóstico da doença.

A detecção precoce tem um papel importante no aumento das chances de cura. Quando a doença é identificada em estágio inicial, os pacientes podem receber tratamento de forma mais efetiva.

IAEA/Dean Calma

Um paciente com câncer é preparado para a radioterapia.

Triagem mais efetiva

No entanto, o diagnóstico é realizado por meio de exames de tomografia computadorizada, um procedimento que usa uma máquina de raios-X e emite uma baixa dose de radiação.

Por isso, os pesquisadores estão em busca de melhores estratégias para identificar e alcançar os indivíduos com maior probabilidade se beneficiar da triagem.

A cientista do Setor de Epidemiologia Genômica do Iarc e co-líder dos estudos, Hilary Robbins, disse que a triagem do câncer pode salvar vidas, mas “os benefícios devem ser equilibrado com os danos”.

Segundo ela, os biomarcadores sanguíneos mostram “forte potencial para identificar melhor as pessoas que desenvolverão câncer de pulmão no futuro, permitindo que a triagem seja direcionada a elas”.

Melhora da tomada de decisão clínica

Ao todo foram identificados 36 marcadores de proteínas que estão fortemente associados ao risco de desenvolver câncer de pulmão. A descoberta dos biomarcadores e o desenvolvimento do algoritmo preditivo são estudos separados, mas complementares.

O primeiro foi publicado como artigo na Nature Communications e o segundo no Journal of the National Cancer Institute.

Segundo os autores das pesquisas, o algoritmo de identificação de risco baseado em proteínas mostrou resultados superiores quando comparado a testes e questionários disponíveis no mercado. Isso indica que a nova ferramenta pode melhorar os procedimentos de avaliação de riscos.

O cientista e co-líder do estudo, Mattias Johansson, disse que os resultados são “promissores” e que a meta é “melhorar a tomada de decisão clínica no rastreamento do câncer de pulmão”. Ele disse que a equipe está “ansiosa” para “desenvolver e avaliar um ensaio que possa ser usado na prática”.

Para chegar nesse resultado, os pesquisadores utilizaram uma base de dados que reúne informações de 3 milhões de voluntários de pesquisa que foram acompanhados por vários anos.

Opas/Jane Dempster

Um assistente de pesquisa (à esquerda) recebe treinamento de um biólogo no Instituto Nacional de Câncer da Colômbia

2,2 milhões de novos casos

Em 2020, cerca de 2,2 milhões de novos casos de câncer do pulmão ocorreram globalmente. Quase 1,8 milhão de pessoas morreram pela doença.

O principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de pulmão continua sendo o tabagismo. Outras causas comuns incluem exposição à poluição do ar interior e exterior, fumaça de motores à diesel e amianto.

A maioria dos casos e mortes de câncer de pulmão ocorrem na Ásia, seguida pela Europa.

Novo enviado para África Ocidental acredita em reposição de paz e estabilidade

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Estimular esforços nacionais e regionais em favor da estabilização é o que motiva o novo enviado do secretário-geral da ONU para a África Ocidental e Sahel a visitar a área a partir desta quinta-feira.

Leonardo Simão disse à ONU News, em Nova Iorque, que atuará no terreno de forma mais próxima das organizações existentes da realidade marcada pelo terrorismo.

Atores regionais e sociedade civil  

 “Faço isso porque acredito que é possível conseguir. Já no passado, a África Ocidental foi zona de paz e estabilidade. Agora está a atravessar um período de turbulência. Eu penso que com um pouco de apoio externo essa situação anterior pode ser reposta.” 

O diplomata moçambicano disse contar com atores regionais e sociedade civil nos esforços conjuntos envolvendo todo o continente africano, incluindo países de língua portuguesa. 

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Terrorismo é combatível, diz novo enviado para a África Ocidental

“Angola não faz parte da sub-região, mas acaba por ser afetada, porque faz parte da Associação para o Golfo da Guiné. E é nesse aspeto. Guiné-Bissau e Cabo Verde fazem parte da região. Como eu disse, eu não vou lá com soluções mágicas. Há muito trabalho que está a ser feito pela União Africana, pela Cedeao e outras organizações sub-regionais para encontrar-se a paz de estabilidade. O meu trabalho principal é promover um maior diálogo entre as partes envolvidas para que concordem num caminho a seguir caso por caso.” 

As Nações Unidas têm dado atenção particular à região ocidental africana devido às crises interconectadas em níveis “sem precedentes”. Entre elas estão conflitos, fome, desnutrição, doenças, deslocamentos em massa e economias em colapso agravadas pelas alterações climáticas. 

Fluxo de combatentes, fundos e armas  

Além de representante especial para a África Ocidental e o Sahel, Leonardo Simão deve liderar o Escritório das Nações Unidas e a Comissão Mista Camarões-Nigéria. Sua nomeação foi em maio. 

UN Photo/Eskinder Debebe

As pessoas são regularmente deslocadas no nordeste dos Camarões devido ao conflito.

O alastramento de grupos terroristas preocupa as Nações Unidas por “combatentes, fundos e armas que fluem cada vez mais entre as regiões e por todo o continente”. Novas alianças são forjadas entre esses grupos, o crime organizado e envolvidos na pirataria, segundo um recente informe do secretário-geral. 

A ONU participa nos esforços de estabilização no Sahel e na bacia do Lago Chade, fornecendo assistência técnica aos países afetados, inclusive nas áreas de prevenção, apoio jurídico, investigações, processos, reintegração, reabilitação e proteção dos direitos humanos.  

Uma oportunidade de reforço das parcerias atuais acontece na organização da Cúpula Africana de Contraterrorismo, agendada para outubro, na Nigéria.  

Relatora da ONU pede proteção efetiva às vítimas do tráfico na Colômbia

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O tráfico de pessoas, especialmente crianças, por grupos armados não estatais e organizações criminosas continua prejudicando a consolidação da paz na Colômbia, alerta uma relatora da ONU.

Siobhán Mullally ressalta que o tráfico de pessoas é uma grave violação dos direitos humanos, do direito humanitário internacional e um crime que prejudica a construção da paz, o desenvolvimento sustentável e a justiça social.

Compromissos para avançar na proteção de direitos

A especialista elogiou o compromisso do governo em proteger os direitos das vítimas e combater a impunidade, mas disse que as iniciativas devem ser implementadas na prática em toda a Colômbia, principalmente nas áreas rurais.

ART/Sergio Fabián Garzón Clavijo

Mulheres e meninas, em particular, estão expostas ao tráfico para fins de exploração sexual por grupos armados e redes criminosas

Ela pediu que as autoridades incluam a questão do tráfico de pessoas na política de paz do país. Mullaly explica que o tráfico de pessoas é cometido por grupos armados não estatais e organizações criminosas para apoiar suas atividades e controlar comunidades.

Segundo a relatora, isso afeta especialmente comunidades afro-colombianas e rurais, povos indígenas e migrantes venezuelanos.

Paz na Colômbia

Assim, ela afirma que é imperativo que a questão faça parte das discussões da Política de Paz da Colômbia e que o capítulo étnico do Acordo Final seja implementado e fortalecido para prevenir o tráfico, assistir e proteger as vítimas, desenvolver programas centrados e liderados por sobreviventes e medidas para combater a impunidade.

Para a relatora, o compromisso com uma reforma rural abrangente e com a promoção dos direitos das mulheres e comunidades rurais é essencial para a prevenção do tráfico de pessoas.

Impacto nas crianças e mulheres

Mullaly explica que as crianças são as mais afetadas e um aumento no recrutamento e uso de crianças por grupos armados nos últimos anos é uma preocupação séria.

Ela recomenda que o governo avance urgentemente com medidas para prevenir o recrutamento e uso de todas as crianças menores de 18 anos, especialmente em áreas de conflito.

Mulheres e meninas, em particular, estão expostas ao tráfico para fins de exploração sexual por grupos armados e redes criminosas, disse Mullally.

Proteção a refugiados

Ela elogiou as autoridades colombianas pelo Status de Proteção Temporária concedido aos venezuelanos, já que mais de 1 milhão dos que cruzaram a fronteira foram para a Colômbia.

A relatora pede ao governo que resolva atrasos no acesso à documentação e na garantia do status de proteção, especialmente por parte dos migrantes em áreas remotas.

Sendo a Colômbia um país de trânsito para migrantes, Mullally pediu às autoridades que prestem atenção especial às crianças desacompanhadas, especialmente nas áreas de fronteira onde sua exposição a riscos de tráfico é aguda e os serviços são limitados.

Dia Mundial dos Pais reforça importância de lares acolhedores

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Headline: Dia Mundial dos Pais reforça importância de lares acolhedores

Este 1º de junho marca o Dia Mundial dos Pais e presta reconhecimento da responsabilidade primária da família na criação e proteção dos filhos.  

A data foi designada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2012 para ressaltar a importância de um ambiente familiar acolhedor para o desenvolvimento pleno e harmonioso dos menores.

Orientações práticas

De acordo com a Convenção sobre os Direitos da Criança, o apoio à família e aos pais é cada vez mais reconhecido como uma parte importante das políticas sociais nacionais.

Os investimentos destinados a reduzir a pobreza, diminuir as desigualdades e promover o bem-estar também devem considerar o papel das famílias, pais e cuidadores.

Levando-se em conta o impacto da pandemia de Covid-19 no ambiente familiar, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, produziu uma série de podcasts oferecendo dicas úteis e orientações práticas aos pais sobre como apoiar seus filhos.

Dentre os temas abordados por meio de conversas com especialistas de várias partes do mundo estão ansiedade climática, saúde mental dos jovens e atitudes frente à tecnologia.

A Agenda 2030 inclui o compromisso dos Estados devem valorizar as famílias como parte da abordagem para o desenvolvimento sustentável. A família também é considerada a base para relações de cuidado entre gerações.

Unicef/Mostafa

Milhares de civis sudaneses estão fugindo do conflito no Sudão para os países vizinhos

Reconhecimento da diversidade

Na resolução 44/82, de nove de dezembro de 1989, a Assembleia Geral da ONU proclamou 1994 como o Ano Internacional da Família. Na resolução 47/237, de 1993, o órgão decidiu que o dia 15 de maio de cada ano seria comemorado como o Dia Internacional das Famílias.

Em 2012, a Assembleia Geral proclamou o dia 1º de junho como o Dia Mundial dos Pais, a ser comemorado anualmente em todo o mundo.

O documento Uma Visão Contemporânea de Família nas Leis Internacionais de Direitos Humanos, lançado pela ONU Mulheres em 2017, a agência reforça as obrigações do Estados.

Dentre elas estão reconhecer a diversidade das famílias e garantir que todos os seus membros gozem de seus direitos sem discriminação de qualquer tipo.

O documento também destaca que os países devem respeitar os princípios do melhor interesses da criança e o direito de viver uma vida livre de violência.

Novo embaixador de Angola nas Nações Unidas inicia funções

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Nesta quarta-feira, Angola apresentou seu novo embaixador junto às Nações Unidas. Francisco José Cruz esteve com o secretário-geral da ONU, António Guterres, para a acreditação e reforçou o engajamento do país em cooperar com questões de paz e segurança, desenvolvimento e direitos humanos.

Em depoimento à ONU News, o novo representante angolano afirmou que o país quer apoiar a reforma do Conselho de Segurança, iniciativas propostas na Nossa Agenda Comum, bem como a Cúpula do Futuro.

Novo embaixador de Angola nas Nações Unidas inicia funções

Multilateralismo na África

Francisco José Cruz afirmou que seu país quer desempenhar um papel cada vez mais decisivo na agenda de paz e segurança na região. Ele adicionou que Angola deve ter uma participação mais ativa no programa da próxima Assembleia Geral da ONU.

No encontro entre o secretário-geral e o novo embaixador, Guterres avaliou o país como um “importante pilar do multilateralismo” na África e destacou o apoio do presidente João Manuel Gonçalves Lourenço na prevenção, gestão e resolução de conflitos no continente.

Angola nas Nações Unidas

O embaixador Francisco José da Cruz é o sétimo representante permanente de Angola na sede das Nações Unidas desde que o país foi admitido a membro de pleno direito, em 1976.

Desde 2019, ele estava à frente da representação de Angola na Etiópia, além de ser representante permanente de seu país na União Africana e na Comissão Econômica das Nações Unidas.

Inteligência artificial é aposta para melhorar prevenção de desastres naturais

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Headline: Inteligência artificial é aposta para melhorar prevenção de desastres naturais

As grandes empresas de tecnologia podem contribuir com a meta Alertas Antecipados para Todos. Essa foi a conclusão de debates realizados no Congresso Meteorológico Mundial, que acontece em Genebra, na Suíça, até a sexta-feira.

Líderes do setor como Microsoft, Google, Meta, Amazon e Alibaba participaram de uma sessão de alto-nível sobre o uso da tecnologia na preparação para eventos ambientais e climáticos extremos.

Apoio a países em desenvolvimento

O secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, OMM, Petteri Taalas, disse que o desafio dos desastres naturais causados pela ação humana “devem ser enfrentados como uma joint venture dos setores público e privado”.

Segundo ele, existe um “número crescente” de empresas de tecnologia da informação interessadas em contribuir com o estabelecimento de sistemas de alertas antecipados em países em desenvolvimento.

O encontro reforçou que a inteligência artificial pode ter um papel importante na avaliação de riscos.

O plano estratégico da OMM para o período 2024 a 2027 incorpora elementos de ponta da inteligência artificial para impulsionar progressos rápidos em ciência e tecnologia.

OMM/Muhammad Amdad Hossain

Sunamganj, Bangladesh, um lugar frequentemente atingido por enchentes.

Projeto-piloto

A agência pretende implementar a ferramenta em um projeto-piloto de previsões do tempo de curto-prazo, ramo conhecido como nowcasting. O método consiste em uma descrição meteorológica detalhada do momento presente até 6 horas à frente.

O nowcasting tem como foco a necessidade de informações rápidas, atualizadas e de alta qualidade sobre tempestades, tornados, ventanias, nevascas chuva de granizo, dentre outros eventos climáticos.

Segundo Taalas, o uso da inteligência artificial pode significar um “apoio imensurável” para alertas precoces em várias áreas.

Durante o evento, as empresas do setor de tecnologia da informação assumiram compromissos com a agenda.

Compromissos das empresas

A Microsoft disse que a inteligência artificial e satélites de alta resolução podem ser usados para mapear populações em risco e na avaliação de danos pós-desastre, como foi o caso do terremoto na Turquia este ano.

O Google considera cooperar com a OMM realizando projetos-piloto sobre inundações em alguns países. Atualmente a empresa está trabalhando com a Rede de Informações em Saúde sobre Aquecimento Global, copatrocinada pela OMM.

A meta da iniciativa é combater o calor extremo e informar as pessoas sobre como se manter seguras e se proteger.

A Amazon disse estar comprometida em usar o poder do armazenamento de dados em nuvem para apoiar sistemas globais de alerta precoce. A empresa está apoiando o novo sistema de informação da OMM, que é a estrutura para o compartilhamento de dados meteorológicos, hidrológicos, climáticos e oceânicos.

Unsplash/RoonZ nl

Um monitor exibe o código do computador

A Meta declarou ter recursos de resposta a desastres desde 2014, alcançando milhões de pessoas em comunidades impactadas por crises em 125 países.

A empresa responsável por redes sociais como Facebook e Instagram citou ações como alertas de verificação de segurança, páginas de crise, e mecanismos de ajuda a comunidades afetadas.

Já o conglomerado de comércio digital Alibaba mencionou o uso de inteligência artificial para ajudar na prevenção e redução de desastres, com foco na Ásia.

Os exemplos citados pela empresa foram a convocação de embarcações de pesca em condições climáticas de tufão, limpeza de rios em temporada de enchentes e promoção da segurança urbana.

Crises econômicas prejudicam perspectivas de emprego em países de baixa renda

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Headline: Crises econômicas prejudicam perspectivas de emprego em países de baixa renda

Os crescentes níveis de dívida, combinados com a alta inflação e o aumento das taxas de juros, criam dificuldades para quem busca emprego nos países em desenvolvimento. A conclusão é de um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização Internacional do Trabalho, OIT.

No estudo, a agência aponta que, enquanto nos países de alta renda apenas 8,2% das pessoas dispostas a trabalhar estão desempregadas, esse número sobe para mais de 21% em países de baixa renda.

Recuperação difícil

Segundo o levantamento, os países de baixa renda que possuem endividamentos maiores são os mais afetados, com mais de uma em cada quatro pessoas que querem trabalhar incapazes de garantir um emprego.

© KANBAOCU/Clifford Amoah Adage

Mulher vende sabonetes caseiros em Gana como parte de um projeto da ONU para melhorar os meios de subsistência.

A diretora-geral assistente de Emprego e Proteção Social da OIT, Mia Seppo, disse que era esperado que o desemprego global voltasse aos níveis pré-pandêmicos, com uma taxa projetada de 5,3% em 2023, equivalente a 191 milhões de pessoas.

No entanto, é improvável que os países de baixa renda, especialmente os da África e da região árabe, vejam tais quedas no desemprego este ano.

Segundo Mia Seppo, a lacuna global de empregos em 2023, que se refere àqueles que querem trabalhar, mas não têm emprego, deve aumentar para 453 milhões de pessoas, com as mulheres 1,5 vezes mais afetadas do que os homens.

África mais atingida

A agência da ONU indica também que o mercado de trabalho africano foi o mais atingido durante a pandemia, o que explica o ritmo lento de recuperação no continente.

Segundo o relatório, ao contrário das nações ricas, o sobre-endividamento em todo o continente e um espaço fiscal e político muito limitado impede que países africanos implementem pacotes de estímulo abrangentes para estimular a recuperação econômica.

Proteção social

Mia Seppo enfatiza que sem melhoria nas perspectivas de emprego das pessoas, não haveria uma recuperação econômica e social sólida. Ela adiciona que o investimento em redes de segurança social para aqueles que perdem seus empregos é fundamental, embora geralmente insuficiente em países de baixa renda.

De acordo com a pesquisa da agência, aumentar a proteção social e expandir as aposentadorias aumentaria o Produto Interno Bruto, PIB, per capita em países de baixa e média rendas em quase 15% ao longo de uma década.

© ILO/Abdulhakeem Obadi/Gabreez

Dois trabalhadores tecem tecidos tradicionais no Iêmen.

Benefício de investimento social

O custo anual de tais medidas seria de cerca de 1,6% do PIB, considerado um investimento “grande, mas não intransponível”. Seppo sugere que o montante seja financiado por uma mistura de contribuições sociais, impostos e apoio internacional.

Ela adiciona que “existe um ganho econômico em investir em proteção social”, afirmando a necessidade de criar espaço fiscal para o investimento social em países de baixa renda “com urgência como parte da discussão global em andamento sobre a reforma da arquitetura financeira internacional”.

Futuro do trabalho

Embora a divisão de desempregados projetada pelo relatório seja preocupante, ela pode ser evitada, afirma a representante da OIT. Para ela, a ação concertada correta sobre empregos e financiamento da proteção social poderia apoiar a recuperação e reconstrução.

Ao pedir melhorias da capacidade de desenvolver “políticas de mercado de trabalho coerentes e informadas por dados” que protejam os mais vulneráveis, ela avalia que as iniciativas devem ter ênfase na qualificação da força de trabalho para prepará-la para um trabalho mais verde e mais digital.